Sobre o NÁUFRAGO, agirão 7 (sete) fatores adversos, 3 deles de ordem subjetiva e os outros 4 de conhecimento geral e sem maiores dificuldades de entendimento. Continuamos analisando os fatores objetivos:

FRIO:
Quando o corpo humano é exposto ao frio ele perde calor, obviamente. O corpo humano gera calor e se estiver convenientemente vestido este calor é mantido.
A evaporação da umidade da pele, na forma de suor ou em outras formas, é decorrência do aquecimento do corpo. A conseqüência da perda de calor do corpo resulta em uma redução da temperatura da pele, com o
aparecimento da sensação denominada FRIO.
Se a perda de calor é mais rápida que a possibilidade do corpo em gerálo, é certo que a temperatura do corpo cairá. Quando a temperatura interna do corpo cai a cerce de 30º C, a maioria das pessoas tem a sua capacidade mental e prontidão física deterioradas e entra em estado de choque, um dos grandes perigos à vida humana. Se a temperatura do corpo continuar a cair a pessoa fatalmente morrerá.
Se uma pessoa estiver com roupas molhadas, ou sem elas, , e exposta ao vento, a perda de calor do seu corpo é muito mais rápida do que se estiver com roupas secas e protegidas do vento.
Assim, devemos procurar, sempre que navegamos, situação em que somos NÁUFRAGOS em potencial, ter nosso corpo protegido por roupas e ter agasalhos à mão, para, na eventualidade de um acidente, podermos enfrentar o FRIO em melhores condições. Durante nosso período de SOBREVIVÊNCIA, uma das nossas preocupações constantes deverá ser manter nossas roupas e nossa embarcação de salvamento o mais secas possível. Essas medidas que nos proporcionarão algum conforto, aliadas à proteção da cobertura da embarcação de salvamento e o razoável isolamento que ela nos dá das condições atmosféricas adversas que nos rodeiam, protegendo-nos mais e, particularmente, do FRIO, fazem com que nossas chances de SOBREVIVÊNCIA aumentem consideravelmente.
FOME:
Um homem pode sobreviver sem COMIDA por longos períodos desde que tenha ÁGUA para beber. Períodos de 35 a 40 dias sem COMIDA, em SOBREVIVÊNCIA, não constituem nada excepcional.
Normalmente, todas as embarcações de salvamento possuem RAÇÕES SÓLIDAS que, no caso da brasileira, são constituídas, cada uma, por 12 “JUJUBAS”, o que eqüivale a dar um homem 850 calorias por dia. Geralmente, as embarcações de salvamento são abastecidas com um total de RAÇÕES SÓLIDAS suficiente para 6 dias por pessoa. Pode parecer estranho que tais jujubas contenham açúcar pois à primeira vista o açúcar agravará a sede. Entretanto, a ingestão de algum açúcar faz com que o próprio corpo não ataque sua reserva de proteínas e dessa maneira a necessidade de urinar diminui bastante, evitando-se assim a perde de água.
Em SOBREVIVÊNCIA no mar, devemos procurar pescar o máximo que pudermos, pois o peixe, que não deve ser comido e sim mastigado e depois aproveitado como isca para outros, além de nos fornecer algum alimento, nos
oferece também seu sangue e eventualmente dele sempre podermos extrair alguma água. Os peixes não devem ser comidos, como já dissemos, pois, sendo alimento rico em proteínas, não será inteiramente absorvido pelo corpo gerando restos, que para serem eliminados forçarão uma perda de água.
Devemos lembrar ainda que algumas espécies de peixes são facilmente deterioráveis. Se o peixe apresentar algum odor acentuado e sua carne não estiver firme e regular ao tato, não o mastigue, jogue-o fora. Inspecione sempre o peixe, limpando-o se for o caso, de pequenos organismos que, comumente, aderem à sua pele e que se forem ingeridos podem irritar nosso intestino, provocando vômitos e cólicas e, consequentemente, perda de água.
Devemos, ainda, procurar abater as aves marinhas, o que se consegue com alguma paciência e sorte. As aves, semelhantemente aos peixes, não devem ser comidas, e sim, chupadas e mastigadas, delas aproveitamos o sangue, que dever ser bebido, e as penas, que servirão para o confeccionarmos iscas e protetores para punhos e tornozelos, partes do corpo freqüentemente expostas e, por isso mesmo, com grande tendência a se transformarem rapidamente em grandes e dolorosas feridas.
Os peixes ou as aves oferecerão ao nosso organismo alguma quantidade de sal, e, por essa razão, ao mastigá-los devemos beber também alguma água, pois senão a água necessária a dissolver os cristais de sal sairão de nossas células, concorrendo para nossa desidratação.
Próximo dos litorais, freqüentemente, encontramos alguma comida na superfícies das águas, representada por brotos, frutos, etc.., trazidos por correntes. Desde que não apresentem aspecto de deterioração podem ser
aproveitados.
FADIGA:
A FADIGA é outro fator a ser considerado. Devemos na condição SOBREVIVENTES ter tarefas, pois essas, como vimos, ocupando as mentes, afastam o TÉDIO, porém, tais tarefas devem ser adequadamente distribuídas, para evitarmos a FATIGA e em especial a transpiração que, voltamos a lembrar, significa desperdício de ÁGUA. Especialmente nas horas de calor, deve haver o máximo de repouso a fim de não agravarmos a desidratação, normalmente existente.
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